A
Vida convida ao caos. A Paz não nega a possibilidade da Vida. Assim é.
Pois.
Os
anos, todos, não serão jamais suficientes para entendê-la toda, nem vivê-lo
todo. A Paz, por decorrência, idem.
Daí
os momentos especiais que a Vida nos coloca. Diante do caos. Sobretudo da
própria existência e a procura de seu significado. Já nos bastaria a pergunta
essencial: quem sou? Para não nos angustiarmos ainda com: para quê sou?
Quando
escolhessem o lugar para construir sua morada buscariam exatamente a resposta a
tais perguntas e a tais propósitos. Um lugar distante privilegiado pelo gosto de
um vale (carregado de ambiguidade de sentido), das matas exuberantes com suas
árvores mais do que centenárias, frondosas, verdes e tais.
Ainda
que muros altos divisassem o terreno manteriam portões abertos para que viesse
de lá o caos e que dele, em se hospedando experimentassem a soberana paz.
Os
pinheiros todos seriam dispostos um ao lado do outro com intervalo de um metro,
como se buscasse uma ordem ao caminho, diante de todo caos.
Viver
terá sempre a ver com caminhos e escolhas.
O
casarão abrigaria sobretudo livros, de todas as paixões para que nenhuma delas
pudesse ser desperdiçada. Todo o saber e toda poesia vestiriam as inúmeras
prateleiras, estantes, mesas, móveis, poltronas, redes, cadeiras de balanço
dispostas a esmo e revoltas pela sua própria necessidade.
A
Vida convida à interioridade para compreender a exterioridade.
Sob
o mais que belo arvoredo se colocaria uma mesa redonda, sem quinas, aberta ao
todo, para que ali tramassem e fizessem o pré-preparo de doces com frutas
colhidas de um pomar nativo e singelo preservado ao longo da parte esquerda do
casarão.
De
cada trama um gosto e de cada fruta uma poesia ou prosa vária. Para que se
drenassem o espírito e a vã filosofia. Viver se resumiria a tramar e a adoçar.
Doce,
sempre doce, não para negar o amargo, não. Mas para servir-lhe de antítese e,
no contraponto, produzir uma síntese sobre a qual valeria a pena de estar aqui
e agora.
Em
que pese toda a dor que circunda e toda a impotência mais do que real, se
buscaria um viver que tivesse valia, legado, sentido.
Letras
emergiriam da experiência e tudo da produção serviria de alguma forma para que
se atenuasse todo o amargo, toda dor, todo o caos.
Até
que nada mais pudesse ser feito.
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